FOTOBIOGRAFIA DE FERREIRA DE CASTRO

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JOSÉ
MARIA
FERREIRA
DE
CASTRO

(24 Maio 1898 - 29 Junho 1974)

"Não é fácil descortinar em Portugal outro mais grandioso e espectacular...
A Terra é verde e o céu é azul; é tudo verde e azul com raras pintas brancas do casario, que mais do que moradias de homens parecem janelas da própia paisagem.
Nas noites de luar, quando o grande balão de oiro surge na lomba das montanhas, o vale enche-se de magia, dum sortilégio que paira desde os píncaros longínquos às águas sussurrantes do Caima.
De manhã é o milagre, todos os dias há um milagre de luz sobre a terra quando o sol nasce em Vale de Cambra."

( Ferreira de Castro )



1898 - Em 24 de Maio nasce no lugar de Salgueiros, na freguesia de Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis, de família pobre e confinada no seu estreito ambiente campesino, José Maria Ferreira de Castro. Seus pais, José Eustáquio Ferreira de Castro e D. Maria Rosa Soares de Castro, viveram sempre nesse modesto meio.


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1904 - Entra na escola primária de Ossela onde era professor Alfredo Francisco Portela, que Ferreira de Castro recordará sempre com grande ternura e apreço.


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1906 - Falece o pai de Ferreira de Castro, deixando em maior pobreza e desamparo uma família onde havia mais três crianças a sustentar.  


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1910 - Faz exame do 2º grau de instrução primária, em Julho, quando já alvoreciam tendências sentimentais a que dá expressão em infantis cartas de amor. Por afirmação de precoce varonilidade, de que dará testemunho em futuras evocações, decide partir para o Brasil, a tentar a aventura da emigração. Em 2 de Dezembro tira o passaporte de emigrante.


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1911 - Parte de Ossela, ainda com 12 anos, em 6 de Janeiro, e embarca no dia 7 em Leixões no velho vapor "Jerôme", para Belém do Pará. Durante algumas semanas permanece nessa cidade, próxima da foz do Amazonas, em casa de um conterrâneo a quem fora recomendado. Para se libertar do encargo da permanência do jovem emigrante, este obtém-lhe colocação no seringal Paraíso, em pleno sertão amazónico, junto à margem do rio Madeira.


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1912-1914 - Durante perto de quatro anos vive em dramática solidão, entre gente rude e sacrificada, tomando contacto com sofrimentos e injustiças que são a sua iniciação na vida do trabalho, da miséria e da violência social. Por vocação espontânea e irresistível escreve as primeiras crónicas e contos, que envia para jornais e revistas provincianas do Brasil. Essa experiência juvenil marca indelevelmente a vida inteira de Ferreira de Castro e virá a inspirar profundamente toda a sua obra.


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1914 - Em 28 de Outubro deixa o seringal Paraíso, levando consigo o manuscrito de um romance intitulado "Criminoso por Ambição". Durante os anos seguintes vive em condições de extrema miséria, exercendo as mais diversas e humildes profissões para ganhar o pão quotidiano: embarcadiço em navios do Amazonas, a colar cartazes em Belém do Pará, como colaborador acidental em publicações desta cidade. Nela publica em 1916, o seu juvenil romance "Criminoso por Ambição", que ele mesmo distribui por eventuais assinantes e leitores de ocasião.


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1915 - Colabora no "Jornal dos Novos", de Belém do Pará, mas atravessa períodos de fome e solidão a que resiste com estóica fé em si mesmo. Começa a colaborar no jornal "A Cruzada" e envia trabalhos literários para outros jornais brasileiros.


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1917 - Funda com o emigrante português João Pinto Monteiro um seminário intitulado "Portugal", que merece a adesão e interesse da colónia do Pará. As suas condições materiais de vida começam a melhorar, permitindo-lhe mais regulares actividades como publicista e jornalista.



1918 - A reputação do jovem escritor e jornalista começa a afirmar-se. É recebido e homenageado pela colónia portuguesa em Manaus, no médio Amazonas.


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1919 - Com recursos já obtidos das suas actividades de publicista  Ferreira de Castro visitou Rio de Janeiro e São Paulo, viaja pelo sul do Brasil, estabelece relações literárias e vê abrir-se as portas para uma carreira que poderia ter sido brilhante no Brasil. Nesse momento, porém, decide regressar ao país natal. Chega a Lisboa com quatrocentos escudos, que era toda a sua fortuna adquirida de emigrante. Depois de passar algumas semanas com a família reencontrada, em Ossela, toma a resolução de tentar em Lisboa a carreira do jornalismo e da literatura. Sem relações e sem apoios, volta a atravessar tempos difíceis na capital.


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1920 - Funda, com Nuno Romano, igualmente jovem e ainda menos experiente, o jornal "O Luso", intencionalmente dedicado à aproximação luso-brasileira, de que foi director durante alguns meses e pouco depois se extinguiu. Recomeçam os tempos de miséria, dias inteiros sem comer, o desespero de um total desamparo.  


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1921-1922 - Pouco a pouco, através de relações que vai criando, abre caminho no jornalismo profissional, mas ao mesmo tempo inspirado em movimentos da justiça social que então se afirmava no País. Colabora no jornal "Imprensa Livre" dirigido por Campos Lima. Com apoios circunstanciais funda a revista "Hora", de arte e questões sociais de que se publicam seis números. Trabalha sucessivamente nos jornais "O Tempo", na revista "A B C", dirigida por Rocha Martins. Publica "Mas…", que é o primeiro dos seus livros editado em Portugal, e em Outubro de 1922 a novela "Carne Faminta".


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1923-1927 - Com personalidade e qualidade literária que lhe abrem já as portas de publicações variadas, trabalha intensamente e chega a escrever mais de uma centena de artigos, crónicas e contos por mês. Em 1923 são editados os seus livros "Êxito Fácil" e "Sangue Negro" e faz uma reportagem jornalística na Andaluzia. Em 1924 surgem as novelas "A Boca da Esfinge" (de colaboração com Eduardo Frias) e "A Metamorfose". Em 1925 publica "Sendas de Lirismo e de Amor" e "A Morte Redimida". Em 1926, enquanto continua a trabalhar arduamente como jornalista profissional, edita "A Peregrina do Mundo Novo", com ilustrações de Roberto Nobre, "A Epopeia do Trabalho" e "O Drama da Sombra". Nesse ano é eleito Presidente do Sindicato dos Profissionais da Imprensa, tomando logo a iniciativa de um protesto contra a Censura. Em 1927 vêm a público os livros "A Casa dos Móveis Dourados" e "O Voo das Trevas". A experiência literária afirma-se em páginas de crescente apuro formal e composição novelística, que põe à prova começando a escrever o romance "Emigrantes".


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1928 - É publicado o romance "Emigrantes", que assinala o início definitivo da sua carreira de escritor e que não tarda a conquistar notável êxito em Portugal, antecedendo a sua irradiação no estrangeiro. Funda e dirige com Campos Monteiro o magazine "Civilização", que é publicado no Porto mas inteiramente organizado em Lisboa.


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1929 - Ferreira de Castro visita pela primeira vez a França, que será sempre uma das grandes solicitações espirituais da sua vida, e faz a reportagem de Andorra, em companhia de Diana de Lis, que era sua dedicada companheira desde 1927. As crónicas sobre Andorra serão integradas posteriormente na obra "Velhos Mundos e Pequenas Civilizações".


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1930 - Depois de alguns meses de trabalho febril, em horas arrancadas ao labor de jornalista, o romancista publica "A Selva", que não tarda alcançar imensa projecção em Portugal, no Brasil e, sucessivamente, em numerosos países onde o escritor conquista largo prestígio mundial. Em 30 de Maio deste ano morre Diana de Lis, deixando Ferreira de Castro numa solidão desesperada que o faz interromper todas as actividades literárias. É publicada em Espanha a tradução de "Emigrantes". Deixa a direcção do magazine "Civilização" e viaja pela Europa no alheamento da sua grande dor.


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1931 - Organiza e faz editar o primeiro livro póstumo de Diana de Lis, "Pedras Falsas", para o qual escreveu um prefácio de intensa emoção. Uma doença extremamente grave leva-o ao limiar da morte. É publicada a tradução de "A Selva" em espanhol.


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1932 - Vai convalescer na Ilha da Madeira, a que voltará depois por diversas vezes, numa constante evocação saudosa, e aí enquadra o cenário paisagístico do seu terceiro romance, "Eternidade", que é publicado no ano seguinte e que reflecte a sua dolorosa experiência sentimental. Organiza e prefacia, ainda nesse ano, o segundo volume de prosas de Diana de Lis, "Memórias de uma Mulher da Época", evocando em páginas emocionadas a "carinhosa e fraternal sombra feminina" que o acompanhara no passado.


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1933 - É editado o romance "Eternidade" e publica-se a primeira tradução em alemão de "A Selva", que abre o caminho da grande irradiação mundial da obra. Faz nesse ano demoradas estadias na Serra de Barroso, em cujos burgos primitivos se fundamenta o romance - reportagem "Terra Fria", inicialmente publicado em folhetins no jornal "O Século", de que era redactor.


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1934 - Publicação em volume de "Terra Fria". Edições de "A Selva" na Inglaterra, Estados Unidos e Itália. Começa a escrever o romance "Intervalo", que seria integrado num vasto círculo intitulado "Biografia do Século XX" em que se reflectiriam as grandes perturbações político-sociais e os dramas humanos da época. Por motivos alheios à sua vontade o livro não foi então publicado e Ferreira de Castro abandonou o seu projecto de ciclo romanesco. Viaja na Itália e demora-se na Córsega. Deixa o jornalismo profissional para se dedicar em exclusivo à criação literária, apesar das dificuldades materiais que essa decisão ainda implicava. A Academia das Ciências de Lisboa atribui nesse ano o Prémio Ricardo Malheiros a "Terra Fria".


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1935 - Com os direitos de autor de edições estrangeiras de "A Selva" realiza longa viagem pelos países do Mediterrâneo, ao mesmo tempo que os seus livros são largamente divulgados no Mundo nas edições em várias línguas.


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1936 - Termina o romance "Intervalo", na sua primeira forma, e dá começo a outros livros que não leva por diante em consequência das restrições à liberdade de pensamento nessa época. Toma então a resolução, expressamente afirmada, de não voltar a escrever na imprensa portuguesa enquanto se mantiver o regime de censura à imprensa.


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1937 - Começa a publicação, em fascículos, de "Velhos Mundos e Pequenas Civilizações". Sucedem-se as traduções de livros de Ferreira de Castro em vários países.


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1938 - É publicada a versão de "A Selva" em francês, realizada pelo escritor Blaise Cendrars, seguindo-se a muitas outras já divulgadas com extraordinário êxito em vários países. Casa-se, em Paris, com a pintora espanhola Elena Muriel, que conhecera em Lisboa como refugiada da Guerra Civil em Espanha. Visita alguns países da Europa Central como enviado especial do jornal "A Noite", do Rio de Janeiro.  


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1939 - Acompanhado por sua mulher faz a viagem de volta ao mundo, com o apoio do jornal brasileiro "A Noite", da qual resultou a edição monumental que descreve essa viagem. Durante o percurso é surpreendido pela II Guerra Mundial. Publica-se em Lisboa a primeira edição de luxo de "A Selva", Com ilustrações de diversos artistas portugueses.  


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1940 - É publicado o romance "Tempestade", inicialmente em folhetins no jornal do Porto "O Primeiro de Janeiro" e logo a seguir em volume.


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1941-1944 - Entre as ansiedades da Guerra que devasta a humanidade e que muito o fez sofrer moralmente, escreve e conclui "A Volta ao Mundo", cujo êxito editorial imediato se representa numa tiragem superior a vinte e cinco mil exemplares, nunca registada em Portugal numa edição de tal género.


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1945-1946 - Afirma publicamente a sua adesão, em mensagens e declarações - sobretudo numa entrevista, que teve imensa projecção, concedida ao "Diário de Lisboa" - ao movimento democrático que aglutinava todos os adeptos do progresso social e que por essa época assinalou a vitalidade política do país, manifestando com veemência o seu repúdio pela censura à imprensa e ao livro. Nasce sua filha, Elsa Beatriz, em 1945. Faz demoradas estadias na Serra da Estrela, a preparar o livro "A Lã e a Neve".


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1947 - Publicação do romance "A Lã e a Neve", da tradução francesa de "Terra Fria" e, pouco depois, da edição em França de "Emigrantes".


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1948 - Ferreira de Castro recebe em França expressivas homenagens dos meios intelectuais e literários desse país. Em prolongada estadia na Bretanha escreve o romance "A Curva da Estrada", que rememora a sua intensa observação do mundo político e social em Espanha antes da Guerra Civil.


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1949 - Inicia-se a edição das "Obras Completas" de Ferreira de Castro, incluindo uma série ilustrada. Recusa, apesar da excepcional importância monetária da proposta, a inclusão, na série, dos seus livros da fase literária inicial, anterior a "Emigrantes".  


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1950 - Publicação do romance "A Curva da Estrada". Escreve a novela "A Missão". É editada a versão francesa de "A Lã e a Neve". É convidado por numerosos escritores brasileiros a visitar o país que fora teatro da sua dolorosa experiência juvenil, mas não pôde então aceitar o convite.


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1951 - Escreve a novela "A Experiência". Passa alguns meses em França, em precário estado de saúde por motivo da doença hepática contraída durante a juventude na Amazónia.


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1952 - Sucedem-se as traduções dos seus livros em várias línguas, incluindo na Alemanha, onde o regime nazista interrompera a divulgação da obra de Ferreira de Castro. Estudos e críticas de escritores de grande nomeada internacional consagram a projecção dessa obra.  


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1953 - Mais uma vez a doença, perigosamente agravada, põe em sério risco a vida do escritor. Durante dias, espera-se a cada momento a sua morte e os jornais chegam a preparar notícias necrológicas. Depois de longa convalescença, Ferreira de Castro retoma o trabalho literário. Falecimento de sua mãe na velha casa familiar de Ossela. Uma mensagem nacional com muitos milhares de assinaturas celebra o 25º aniversário da publicação de "Emigrantes", congratulando-se os signatários, ao mesmo tempo, com o seu restabelecimento.


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1954 - Publicação da novela "A Missão". É de novo convidado a visitar o Brasil e mais uma vez declina o convite por motivos de saúde.


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1955 - O 25º aniversário da publicação de "A Selva" é assinalado com diversas homenagens, em Portugal e no Brasil, e com uma edição de luxo da obra, ilustrada pelo grande pintor brasileiro Cândido Portinari. Inicia a redacção da volumosa obra "As Maravilhas Artísticas do Mundo", que começa a ser distribuída em fascículos densamente ilustrados e que ocupa o seu trabalho de escritor até 1963.


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1957 - Continua a afirmar a sua posição cívica na defesa dos direitos e dignidade do Homem, tendo larga repercussão o seu depoimento num tribunal do Porto em defesa de 52 jovens, em que se incluem intelectuais posteriormente consagrados como altos valores nacionais. A "Revue des Deux Mondes" publica "A Missão", seguindo-se as edições em volume deste livro na França e na Argentina.


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1958 - Um vasto movimento de opinião, em que numerosos intelectuais e representantes da massa popular participam, propõem a apresentação de Ferreira de Castro como candidato à Presidência da República. Declina as constantes solicitações que lhe são dirigidas para esse efeito por não se considerar como aptidões temperamentais para tal missão.


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1959 - A convite da União Brasileira de Escritores, secundado por outras instituições culturais e pelo Ministério da Educação e Cultura desse país, visita finalmente o Brasil, por se encontrar então em condições de saúde que lhe permitem essa emocionante jornada. As mais calorosas demonstrações de admiração e carinho envolvem Ferreira de Castro, não só nas esferas literárias como em instituições representativas da democracia brasileira, a começar pelo Chefe de Estado e pelo Senado Federal.    


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1960 - Por ocasião de um colóquio que realiza no Porto são prestadas ao escritor, nessa cidade, vibrantes homenagens, a que se associa a multidão anónima dos seus admiradores em visita a uma exposição das suas obras e jornada de autógrafos. È dado o nome de Ferreira de Castro a uma rua de Teresópolis, no Brasil. È convidado para sócio da Real Academia da Bélgica, mas recusa-se a solicitação, como já fizera em casos idênticos noutros países.


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1961 - Conclui-se no Brasil uma edição das obras "Obras Completas" até então publicadas ao escritor. Recebe em França renovadas homenagens da intelectualidade desse país.


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1962 -È eleito Presidente da Direcção da sociedade Portuguesa de Escritores, mantendo-se nessas funções até final de 1964. No ano seguinte foi extinta compulsivamente a sociedade.


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1963 - O romance "A Selva" atinge em Portugal a 20ª edição e a tradução francesa deste livro é incluída na colecção "Livre de Poche", com tiragem de cem mil exemplares. Conclui, ao cabo de oito anos de intenso trabalho, a publicação de "As Maravilhas Artísticas do Mundo", que atingiu também  excepcional tiragem. Repetem-se as reedições de livros de Ferreira de Castro em diversos países.


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1954 - Publicação da novela "A Missão". É de novo convidado a visitar o Brasil e mais uma vez declina o convite por motivos de saúde.


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1955 - O 25º aniversário da publicação de "A Selva" é assinalado com diversas homenagens, em Portugal e no Brasil, e com uma edição de luxo da obra, ilustrada pelo grande pintor brasileiro Cândido Portinari. Inicia a redacção da volumosa obra "As Maravilhas Artísticas do Mundo", que começa a ser distribuída em fascículos densamente ilustrados e que ocupa o seu trabalho de escritor até 1963.


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1957 - Continua a afirmar a sua posição cívica na defesa dos direitos e dignidade do Homem, tendo larga repercussão o seu depoimento num tribunal do Porto em defesa de 52 jovens, em que se incluem intelectuais posteriormente consagrados como altos valores nacionais. A "Revue des Deux Mondes" publica "A Missão", seguindo-se as edições em volume deste livro na França e na Argentina.


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1958 - Um vasto movimento de opinião, em que numerosos intelectuais e representantes da massa popular participam, propõem a apresentação de Ferreira de Castro como candidato à Presidência da República. Declina as constantes solicitações que lhe são dirigidas para esse efeito por não se considerar como aptidões temperamentais para tal missão.


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1959 - A convite da União Brasileira de Escritores, secundado por outras instituições culturais e pelo Ministério da Educação e Cultura desse país, visita finalmente o Brasil, por se encontrar então em condições de saúde que lhe permitem essa emocionante jornada. As mais calorosas demonstrações de admiração e carinho envolvem Ferreira de Castro, não só nas esferas literárias como em instituições representativas da democracia brasileira, a começar pelo Chefe de Estado e pelo Senado Federal.    


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1960 - Por ocasião de um colóquio que realiza no Porto são prestadas ao escritor, nessa cidade, vibrantes homenagens, a que se associa a multidão anónima dos seus admiradores em visita a uma exposição das suas obras e jornada de autógrafos. È dado o nome de Ferreira de Castro a uma rua de Teresópolis, no Brasil. È convidado para sócio da Real Academia da Bélgica, mas recusa-se a solicitação, como já fizera em casos idênticos noutros países.


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1961 - Conclui-se no Brasil uma edição das obras "Obras Completas" até então publicadas ao escritor. Recebe em França renovadas homenagens da intelectualidade desse país.


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1962 -È eleito Presidente da Direcção da sociedade Portuguesa de Escritores, mantendo-se nessas funções até final de 1964. No ano seguinte foi extinta compulsivamente a sociedade.


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1963 - O romance "A Selva" atinge em Portugal a 20ª edição e a tradução francesa deste livro é incluída na colecção "Livre de Poche", com tiragem de cem mil exemplares. Conclui, ao cabo de oito anos de intenso trabalho, a publicação de "As Maravilhas Artísticas do Mundo", que atingiu também  excepcional tiragem. Repetem-se as reedições de livros de Ferreira de Castro em diversos países.


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1965 - È atribuído pela Academia de Belas Artes de Paris o Prémio Catenacci á obra "As Maravilhas Artísticas do Mundo". Ferreira de Castro faz doação á Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis da casa de Ossela onde nascera e que lhe fora doada pelo antigo proprietário, conterrâneo e seu amigo Artur Gomes Barbosa, com a determinação de ser conservada tal como se encontrava na infância do escritor.




1966 - Com a mais larga adesão de escritores, instituições culturais e massas populares é celebrado em Portugal o cinquentenário de vida literária de Ferreira de Castro. As comemorações têm grande eco no Brasil, em França, na Itália e em outros países onde a sua obra é conhecida e admirada. Destacam-se nos actos comemorativos uma ampla exposição iconográfica e bibliográfica na Sociedade Nacional de Belas Artes, que é encerrada com uma sessão emotiva e espectacular de homenagem; a sessão que foi dedicada ao escritor na Academia Brasileira de Letras; edições de luxo de "Emigrantes", ilustrada por Júlio Pomar, e de "Terra Fria", com ilustrações de Bernardo Marques; a publicação do "Livro do Cinquentenário", que reúne colaborações de dezenas de escritores de diversos países, etc. Em 30 de Dezembro é inaugurado em Oliveira de Azeméis, numa praça da vila, um monumento consagrado à obra de Ferreira de Castro.


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1968 - È publicado simultaneamente em Portugal e no Brasil o romance "O Instinto Supremo". A união Brasileira de escritores, secundada em Portugal por um vasto movimento de opinião, apresenta a candidatura conjunta de Ferreira de Castro e de Jorge Amado ao Prémio Nobel de literatura, como mais altos expoentes das literaturas de língua portuguesa.


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1969 - Edição francesa de "O Instinto Supremo". Mensagens de adesão de Ferreira de Castro ao congresso Republicano realizado em Aveiro e a candidatos democratas nas eleições para deputados que se realizaram nesse ano.


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1970 - Em 28 de Maio é entregue ao escritor, em Nice, o Grande Prémio Internacional Águia de Ouro, do Festival do livro nessa cidade francesa - o primeiro galardão de grande significado internacional concebido a um escritor português. O Prémio foi atribuído por absoluta unanimidade do júri, constituído por dezoito individualidades de grande projecção literária mundial e em competição com escritores do maior prestígio de diversos países.


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1971 - È inaugurado nas Caldas das Taipas - localidade onde o escritor teve, durante anos sucessivos, prolongadas permanências estivais - um busto de Ferreira de Castro. A cerimónia foi assinalada por uma impressionante manifestação de carinho do povo humilde da região. Pouco depois, preside ao júri do novo Festival Internacional do Livro, em Nice. Entretanto, a Academia do mundo Latino, de Paris, atribui a Ferreira de Castro, conjuntamente com Jorge Amado, o Prémio de Latinidade desse ano, dando motivo a que fossem prestadas expressivas homenagens aos dois escritores, fraternamente amigos e companheiros de ideias. Ainda em 1971, o escritor visita novamente o Brasil, onde se multiplicam as consagrações da sua obra e da sua personalidade. O Governo brasileiro anuncia que será dado o nome de Ferreira de Castro a uma fracção da grande Estrada Transamazónica. Várias cidades daquele país atribuem a Ferreira de Castro o título de cidadão honorário. E os irmãos Vilalobos,   continuadores heróicos da obra de Rondon em defesa dos índios do Brasil, declaram que a sua acção foi inspirada, em grande parte, pela leitura de "A Selva".


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1973 - Ferreira de Castro decide doar á vila de Sintra onde fez longas estadias em anos de intenso trabalho e onde escreveu parte considerável da sua obra, a maior parte do seu espólio literário. Prepara-se a instalação desse espólio num edifício a esse fim expressamente destinado a pertencente ao Município sintrense. Por motivo do 75.º aniversário de Ferreira de Castro realizam-se em Lisboa calorosas celebrações, que tiveram grande repercussão pública, incluindo uma sessão de homenagem e confraternização com o escritor na Sociedade Nacional de Belas - Artes. Na mesma data a academia Brasileira de Letras exalta a sua obra e a sua mensagem literária e humana em sessão a que a imprensa de além-Atlântico deu largo eco. È dado o nome de Ferreira de Castro a uma escola em Teresópolis. O ministro da Educação Nacional do Brasil, então o escritor Jarbas Passarinho, convida Ferreira de Castro para uma nova visita, a fim de estar presente numa sessão de homenagem em Brasília, mas razões de saúde impedem-no de aceitar a solicitação.


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1974 - Ainda na sequência das celebrações do 75.º aniversário de Ferreira de Castro é publicada uma nova edição de luxo de "A Selva", com ilustrações de Júlio Pomar. Iniciam-se os trabalhos desta nova edição em papel bíblia das suas "Obras Completas". Em 25 de Abril acolhe com vibrante emoção a queda do regime ditatorial fascista, derrubado pelo Movimento das Forças Armadas, e a restauração das liberdades cívicas. Em 5 de Junho é prostrado por uma síncope cardiovascular, quando se encontrava em Macieira de Cambra. Em 29 de Junho morre Ferreira de Castro num hospital do Porto. Publicação póstuma de "Os Fragmentos".


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1975 - Em 31 de Maio, dando cumprimento á aspiração que deixou expressa em fervoroso pedido testamentário e com autorização especial do Governo provisório, secundada e executada pelo Município sintrense, os restos mortais de Ferreira de Castro foram inumados em túmulo aberto junto a uma das veredas da encosta da serra de Sintra, sobranceira á povoação onde viveu longos períodos da sua vida e escreveu grande parte da sua obra.    


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